O sentimento guardado por anos em uma caixa, é finalmente convidado a sair. Ele olha pela janela, decidindo se é sábio por os dedos para fora. Ele fica receoso no início, afinal já não tinha mais conexão, já não sabia mais interagir. O problema na verdade, é que após saber que existe o mundo lá fora, o sentimento não quer mais voltar para a confortável caixa que o mantinha seguro dos espinhos de fora. Sabendo que existem cores, cheiros, texturas e tatos que nunca viu, agora o sentimento quer experimentar tudo de uma vez, indo em um fluxo obsessivo em direção a qualquer coisa que seja prazeroso. Esse é o problema do sentimento guardado, ele quer sentir, ele quer sair.
O problema dela é o medo, que ao contrário do sentimento encaixotado, sempre esteve presente. Ela tem medo do desconhecido, medo da sua intensidade e medo de não ser correspondida. O problema dela é que ela sente demais.
O sentimento pôs os dedos para fora e sentiu um novo mundo, sentiu a água no ar, e quis voar pela frestas, deixando-se ir com o vento, querendo estar nos quatro cantos, conhecendo cada caminho, cada pedaço. O sentimento pulava do peito, fazia a garganta fechar, os olhos marejar e o calafrio tocar a pele. Fazia o ar comprimir e a vida pulsar. Ela gostava da sensação, mas tinha medo. Ela gostava do sentimento, mas o colocou de volta na caixa, onde ele estaria seguro, amenizado, dormente. O sentimento não pertence a caixa, ela pertence ao mundo. Ela pertence em cada canto, como o vento. Ela pertence no sentimento.
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