terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Ela não veio para uma vida pacata. Não veio para ter uma casa decorada com porcelanas caras e mantas no sofá. Ela veio para sentir o vento no rosto, descobrir novas árvores, sentir cheiros doces e amargos, e principalmente para deixar o coração voar.

Ela clamou diversas vezes que a caneta havia a abandonado, disse algumas vezes que ninguém lia o que ela escrevia, e que suas palavras não faziam mais sentido. Ela procurou sentido em todas as suas palavras, sabendo que elas nunca teriam. A verdade é que a caneta nunca a abandonou, sempre esteve no mesmo lugar, ela que nunca procurava. Ela não precisava que alguém lesse suas palavras, ela precisava que suas palavras exprimissem aquilo que seu coração confuso queria contar.

A vida não é sobre um apartamento pago e um chão encerado. A vida não é sobre rotina e códigos limpos. A vida é sobre lugares e vontades, e ela nunca disse qual era realmente seu lugar.
Seu lugar é o mundo, seu lugar é em cada canto, em cada árvore. Seu lugar é onde o vento a leva.

O coração pulsa, o corpo sente o vento e estremece, sabendo que logo sua vida vai mudar. Será que ela tem coragem?

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